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A semana decisiva. Que Brasil sai das urnas?

há 5 horas
3 min de leitura

Sinceramente, nem sei como me referir ao tragicômico episódio em rede nacional da bem-intencionada Band TV com o triste espetáculo que desonra o nome de debate. Só para manter o nível, prefiro comemorar o fato de que, finalmente houve um encontro entre os dois fracos candidatos que disputam a presidência, com o pedido de escusas ao público apaixonado.



Pior é saber que, a despeito do baixo nível, ainda é o momento mais adequado para o eleitor indeciso ou inseguro, tirar suas dúvidas em relação aos contendores e, sem dúvida, em especial, o último, na próxima sexta-feira (23) na Rede Globo, a principal variável deste final da campanha. Talvez ocorra como na Band, onde não houve vencedor, ainda que o perdedor tenha sido o povo brasileiro constrangido com o capítulo quinta série da política nacional, mas, mesmo que uma vitória por pontos, não seja definitiva, um nocaute ou deslize de qualquer dos candidatos pode permitir que os recortes do dia seguinte sejam decisivos.


Interessante este registro; com média de 15% de audiência, algo entre 10 e 11 milhões de telespectadores, o que realmente é relevante é a visibilidade dos recortes distribuídos nas redes sociais no dia seguinte, com potencial de atingir entre 60 e 70 milhões de eleitores. Principalmente se os candidatos entrarem no ringue eleitoral dispostos a mostrarem ideias e projetos, inclusive porque a tarefa de apenas mostrar que o adversário é vulnerável, me parece uma tarefa muito pouco para credenciar alguém ao voto do cidadão brasileiro consciente.


De qualquer forma, é saudável perceber que a incrível pauta sobre Nossa Senhora, além dos cansativos morde e assopra dos casos do INSS e do Banco Master, onde sobram algozes e se procuram inocentes, foram substituídas por algum debate, exclusivamente propostas por jornalistas, já que os candidatos estavam apenas focados em provar que o índice de desonestidade do adversário é superior.


Com boa trocação de argumentos, houve uma razoável vantagem de Flávio Bolsonaro na discussão sobre segurança e de Lula sobre saúde, com um triste empate na questão da corrupção, ainda assim um bom avanço em relação às campanhas de muita agressão e poucas propostas, subproduto da política medíocre que resulta da polarização que potencializa o emocional e joga a racionalidade na lata de lixo.


Importante que o novo capítulo na quinta, agora na Globo, nos ofereça candidatos mais interessados em ganhar votos e não simplesmente despertar rejeição no adversário. Parece incrível, mas, independente do vencedor, é muito real a possibilidade de que um deles vença as eleições com mais de 50% de rejeição, além da necessária maioria de votos.


Com o declarado interesse em manter uma leitura imparcial, preciso, até para atender minha consciência apontar para duas questões, uma cada direção que me preocupam profundamente.


Em relação ao candidato Lula, a desfaçatez do governo que gasta bilhões, que não temos disponíveis, com pacotes de “bondades” eleitorais, verdadeiras indulgências políticas as serem pagas com nossos impostos, com o abandono definitivo da ética com o justo, porém inoportuno aumento do bolsa família, seguida da antecipação de seu pagamento, quase como um bônus eleitoral. Vergonhoso, no mínimo.


Em relação ao candidato Flávio Bolsonaro, com duas investigações em curso, que sem repetir Jair, demitindo ministro, juiz e investigadores, pode nos presentear com outro presidente condenado, ou mesmo exercendo o mandato como seu ídolo americano. Muito pior que isto, é a atitude evasiva em relação às inúmeras denúncias, muitas delas apontadas pelo adversário no debate, que seguem sem respostas, sem explicações, obrigando o eleitor a correr um belo risco de um voto inidôneo e me fazendo recordar do então deputado estadual autor do livro “Mito ou Verdade”, quase como uma ode ao autoritarismo e aos agentes da tortura.


Ainda mais grave é a receita de pizza multipartidária, sendo preparada na cozinha do Centrão, onde a vitória alternada de um ou outro pode significar uma cabeça premiada do Supremo, com os ministros Alexandre de Moraes e Kássio Nunes, como vítimas preferenciais, para acalmar a ira popular, algo como já ocorria nas arenas romanas, entregando um vilão para os leões, permitindo um grande acordão que, com as devidas artimanhas jurídicas, liberem as duas centenas de autoridades dos três poderes da malha fina das investigações do Banco Master, me permitindo apontar Daniel Vorcaro, ainda que ex-banqueiro, com o futuro similar aos empresários e políticos condenados e posteriormente quase canonizados da Lava Jato.


Espero ansioso pelos dias finais, na expectativa que a balança das pesquisas exija um comportamento mais adequado dos candidatos, oferecendo reais motivos para levar os eleitores à urnas para votar a favor, evitando que, de novo, sejamos constrangidos a escolher o “menos pior”.

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