A queda de um “mito”: As Lições da Derrota Política de Ratinho Júnior no Paraná
Por Caio Henrique - Opinião Política
Ratinho Júnior ostentava o título de governador mais bem avaliado do país, reunindo em torno de si um cenário que parecia imbatível: cerca de 80% de aprovação popular, o apoio de aproximadamente 90% dos prefeitos do estado, quadros políticos robustos e uma máquina estadual poderosa. Com esses números, a sucessão parecia ser apenas uma mera formalidade. No entanto, a realidade das urnas revelou um desfecho radicalmente oposto, culminando no que pode ser considerada a maior derrota política do Brasil recente.

O que explica um revés tão estrondoso para um líder com índices tão expressivos? A resposta reside em uma sequência de erros estratégicos de cálculo e escolhas equivocadas.
O primeiro grande equívoco nasceu das ambições nacionais do governador. Ao ensaiar um projeto presidencial, Ratinho acabou por afastar o PL e o bolsonarismo — um verdadeiro colosso eleitoral no Paraná —, abrindo espaço para que essa base se alinhasse a seu principal adversário: o senador Sergio Moro, figura de forte apelo popular e nacional. Quando o governador percebeu o tamanho do erro e recuou de suas pretensões à presidência, já era tarde demais. O estrago estava feito, e aliados estratégicos já orbitavam o campo opositor.
A instabilidade na sucessão estadual também custou caro. Embora nutrisse preferência por Guto Silva, seu pupilo político, Ratinho acabou por descartar o nome por motivos que permaneceram opacos ao eleitorado. Na mesa de xadrez das alternativas, despontavam opções de peso, como Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa e amplamente articulado com os prefeitos, e Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba com altíssima aprovação. Contudo, prevaleceu o temor de que tais lideranças pudessem construir um governo autônomo, e não uma mera continuação da gestão vigente.
Nesse processo de afunilamento, optou-se por um nome de menor penetração popular e com fragilidades eleitorais recentes, culminando em uma campanha incapaz de frear o ímpeto de um adversário consolidado.
O resultado nas urnas — uma derrota expressiva ainda no primeiro turno para Sergio Moro — expôs uma fragilidade estrutural que muitos ignoravam. Ratinho revelou-se politicamente como uma estátua com pés de barro: imponente e vistosa por fora, mas vulnerável na base. Nem mesmo a força da máquina pública foi capaz de conter a maré adversária. Resta evidente que a alta popularidade do governador não se traduzia em capital eleitoral próprio; os votos, em grande medida, refletiam o alinhamento com a onda bolsonarista que moldou o estado nos últimos anos.
Ao perder o controle do tabuleiro no próprio quintal, Ratinho Júnior consolida-se, ironicamente, como o maior derrotado do cenário político nacional. A lição que fica é dura, mas cristalina: na política, a soberba e a desconexão com os aliados estratégicos podem desmoronar, em poucas semanas, a mais sólida das hegemonias.

.png)


.png)






Colocações muito bem feitas. Texto de quem estuda e entende a política com furor!