A ingratidão que habita em nós
- Christina Faggion Vinholo

- 29 de set.
- 2 min de leitura
Por Christina Faggion Vinholo, teóloga .
Especialista em AT e NT.
O coração humano, desde a queda, carrega uma marca profunda: a ingratidão. Não é difícil perceber — basta olhar para nossa própria vida. Quantas vezes alguém nos fez o bem, estendeu a mão, socorreu em dias de angústia… mas basta que, em uma única ocasião, essa pessoa não corresponda às nossas expectativas, e é disso que nos lembramos. O bem acumulado se apaga diante de um único “não”. Somos rápidos em esquecer favores e lentos em cultivar gratidão.

A Escritura nos mostra essa realidade. Israel, libertado do Egito pela poderosa mão de Deus, ao invés de se prostrar em gratidão, murmurava no deserto (Êx 16:2-3; Nm 14:2). Dez leprosos foram curados por Jesus, mas apenas um voltou para agradecer (Lc 17:17-18). Paulo descreve a humanidade caída como aqueles que “tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças” (Rm 1:21). A ingratidão não é apenas uma falha moral: é expressão de um coração corrompido, que não reconhece a graça recebida.
Será que a ingratidão é tão natural em nós que já não a percebemos? Será que vivemos mais prontos a reclamar do que a agradecer? O ingrato não apenas esquece os benefícios recebidos, mas rebaixa a relação ao utilitarismo: a pessoa vale pelo que pode me dar. Se não me serve, descarto. É difícil vivermos de modo a olhar para alguém e dizer: “você pode não me servir para nada, mas eu te amo”.
E com Deus, será que é diferente? Quantos buscam não o Deus da glória, mas apenas o Deus que dá bênçãos? Quantos desejam o que sai de Suas mãos, mas não desejam ver o Seu rosto? A ingratidão espiritual nos leva a usar Deus como meio e não como fim. Queremos os benefícios da fé, mas não o Senhor da fé.
A verdadeira gratidão é fruto de um coração regenerado, que reconhece: tudo o que tenho vem de Deus, e nada mereço. É olhar para o Senhor e dizer: “Se nada mais me deres, ainda assim tenho tudo em Ti”. O evangelho nos chama a sermos gratos, não apenas por aquilo que recebemos, mas por quem Deus é. “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1Ts 5:18).
Talvez hoje seja o momento de refletir: será que minha vida tem sido marcada mais pela ingratidão ou pela gratidão? Será que tenho buscado a face de Deus ou apenas o que Suas mãos podem me oferecer?
A gratidão não nasce do que recebemos, mas de reconhecer que já recebemos o maior de todos os dons: Cristo Jesus, o indescritível presente de Deus (2Co 9:15).
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👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻 Gratos à Jesus por vc existir 💜🐑
Tem dias que certas palavras vem ao nosso encontro e servem de bálsamo para nossas vidas naquele exato momento.
Obrigado por este texto, falou muito ao meu coração.