A Gangorra de Flávio: Entre Mísseis e o Preço do Silêncio
- Nelson Guerra

- 26 de mai.
- 2 min de leitura
O projeto “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, tornou-se o epicentro da crise. Flávio Bolsonaro negociou até R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para financiar o longa. Inicialmente, o senador negou qualquer envolvimento; horas depois, admitiu a relação, mas insistiu que não houve dinheiro público. Será? Flávio Dino, do STF, parece não acreditar.

Imagem criada por IA – Nelson Guerra
O pastor Silas Malafaia, aliado histórico da família, oscilou entre a defesa e a cautela. Primeiro disse que “não houve grana na mão de Flávio”, mas após novas revelações, reconheceu que se surgirem mais provas, será difícil manter o apoio. Nos bastidores, líderes evangélicos já cogitam nomes alternativas para a disputa presidencial. O que se sabe é que está tarde para colocar Tarcísio de Freitas, impedido pelas regras eleitorais.
Dentro do Partido Liberal (PL), a crise gerou frustração. A ala “raiz” considera que Flávio trouxe para a campanha “o homem mais radioativo do Brasil” ao se associar a Vorcaro. Pesquisas internas foram encomendadas para medir o impacto: se Lula abrir mais de 10 pontos de vantagem, a candidatura pode ser revista. Michelle Bolsonaro já aparece como possível substituta.
O ministro Flávio Dino, do STF, investiga se houve uso de emendas parlamentares para financiar o filme. O deputado Mário Frias (PL-SP), produtor executivo do longa, é alvo direto: teria destinado cerca de R$ 2 milhões em emendas a entidades ligadas à produtora. Dino exigiu explicações da Câmara e aguarda depoimento de Frias. Se confirmada a desconfiança, Flávio novamente fica pego na mentira.
A esquerda aposta em uma estratégia de desgaste contínuo: na guerra eleitoral, cada revelação é um “míssil” lançado em momentos calculados, mantendo Flávio sob fogo cruzado até outubro. A lógica é simples: quanto mais tempo ele permanecer como candidato, maior o desgaste acumulado, o que pode render dividendos em favor da esquerda para conquistas de mais cadeiras no Senado e na Câmara.
Como todo bom náufrago político, Flávio decidiu buscar terra firme bem longe do Brasil. Voou para a Flórida para tentar arrancar uma foto e uma declaração de apoio de Donald Trump. A estratégia é conhecida: usar o prestígio internacional do líder republicano como uma camada de verniz para disfarçar as rachaduras na própria imagem. Flávio tenta vender a narrativa de que o dinheiro de Vorcaro seria integralmente devolvido após o lançamento do filme, mas a tese convence tanto quanto promessa de ano novo.

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Flávio Bolsonaro vive uma gangorra política: ora tenta se equilibrar com explicações, ora despenca diante de novas revelações. O fato é que a cada oscilação, perde apoio, mas ainda mantém a candidatura por fidelidade do núcleo bolsonarista. Para sobreviver, precisará apresentar transparência absoluta — algo que até agora evita. O eleitor, por sua vez, pode ter certeza de uma coisa: o espetáculo político de 2026 não será entediante. Prepare a pipoca e o sofá.
(Nelson Guerra é comunicador e consultor em Gestão Pública que ainda acredita que, no Brasil, a política é mais emocionante que qualquer novela das nove.)














E temos que lembrar também figuras públicas defensoras do bolsonarismo desde o seu início, como Caio Coppola e Alexandre Garcia, que recentemente abandonaram o barco da campanha de Flávio Bolsonaro pq não conseguiram engolir as explicações dele em relação à ligação com o Daniel Vorcaro do Banco Master.