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A foto em preto e branco da sucessão em agosto.

Encerrando o primeiro mês de campanha, ainda com a sensação de que nem mesmo se iniciou, nos compete bater a foto e tentar revelar expetativas e projeções para os trinta e cinco dias restantes na disputa nacional.


A avaliação é complexa porque exige uma tradução do conjunto de eleitores, com uma necessária divisão em subconjuntos que reflitam as tendências, basicamente as mesmas desde 2018. Com dois blocos nas pontas, lulistas e bolsonaristas, um grupo de esquerda não lulista que se estende até a centro-esquerda, grupo de direita não bolsonarista que se estende até a centro-direita e um último grupo de centro que batizamos de independentes. Não há dúvidas que a segmentação apresentada é mais significativa do que os tradicionais recortes de gênero e grau.


As estratégias das campanhas são desenhadas em função das metas para cada segmento, em especial no material destinado à mídia eletrônica e digital, principalmente em relação às campanhas dos dois líderes, Lula e Flávio Bolsonaro.


As pesquisas mostram sempre mais de 80% das intenções de voto concentradas nestes dois nomes que, em cada caso, representam a soma de suas participações em cada segmento e, como constatação essencial, não parece haver diferença significativa, ou fora da margem de erro, transferindo a decisão da eleição para os demais subgrupos.


Não se trata de desconhecer as vantagens e limitações de cada candidato nas segmentações tradicionais, por exemplo de Flávio, sempre com números menores entre as mulheres e de Lula, com dificuldade no universo evangélico, ou mesmo geográficas, com as notórias vantagens de Lula no Nordeste ou de Flávio no Sul, mas de perceber que, mesmo nestes recortes, persiste a mesma graduação fora do reduto dos convertidos e apaixonados. Por isso, é fácil concluir que serão estes números que definirão as eleições.


Com apenas poucos dias, o palanque eletrônico não surtiu efeito, sendo, até o momento, as sabatinas o grande destaque das eleições, registrando que, com o descrédito dos debates esvaziados pelas ausências, o melhor instrumento para a definição de voto. Com as pesquisas mostrando um insistente equilíbrio, quase todas com empate na margem de erro, todo o esforço está direcionado para conquista de votos nos segmentos em aberto.


Centrando a avaliação na participação dos cinco candidatos principais nas sabatinas, podemos consolidar a convicção de que a eleição tem dois protagonistas e vários coadjuvantes, sem condições de alterarem o roteiro inicial.


Os ex-governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado, experientes e que poderiam surpreender, foram incapazes, no primeiro mês de campanha, de projetarem qualquer expectativa positiva. Suas participações nas sabatinas foram fracas e não motivaram nem mesmo suas torcidas. Vão apenas cumprir tabela no processo eleitoral, tentando atingir 4 ou 5% para terem voz no segundo turno, embora para Zema reste a possibilidade de criar uma boa imagem que o alavanque em 2030.


Augusto Curi e Renan Santos, por razões diversas, podem estar mais otimistas para o restante da campanha. O saldo do primeiro mês foi positivo, com um bom contingente que passa a percebê-los como uma alternativa possível, se a eleição não fosse plebiscitária. Tornaram-se muito mais conhecidos e podem superar os demais na eleição paralela que este bloco disputa. Precisam superar a primeira barreira, 5% que marca o sarrafo das micro candidaturas, se possível até 15 de setembro, para sonharem com o segundo sarrafo, 10%, que os deixa vivos para a etapa final.


Augusto Curi, porque vende uma única ideia consistente, a possibilidade de romper a polaridade obtusa que nos acompanha desde 2018, parece mais próximo disto, ainda que as chances sejam mínimas, de surpreender. Renan Santos, que difere de Collor e Jair Bolsonaro, os únicos outsiders bem-sucedidos até hoje, por não ter uma bandeira notória, parecendo uma metralhadora giratória, atirando em tudo e mais preocupado em vestir a roupagem de antissistema.


Em relação aos líderes, temos uma leitura contraditória, em alguns aspectos. Se tomarmos as sabatinas como referência, talvez, no sentido geral, Lula tenha se saído melhor, mas não especialmente nos extratos decisivos, isto considerando que, em suas redomas, nada afeta; apaixonados aceitam e aplaudem tudo. São, porém conjuntos finitos que, isolados não definem eleição.


Os grupos que importam são a centro esquerda, centro direita e os independentes, contingente superior a 30 milhões de eleitores que definem a eleição e a disputa dos independentes visa a maior fatia e ainda está indefinida.


Nos extratos opostos, a meta transversal é "roubar" 25% dos votos no grupo oposto. Flávio encostou em Lula exatamente por crescer na centro esquerda, tomando um em cada cinco eleitores e equilibrando a disputa.


É cedo para projeções mais seguras, principalmente pela capacidade de Flávio de cometer erros e do governo Lula de gerar pautas negativas, tendo ainda as sombras de Vorcaro e de Lulinha, pairando sobre cada um deles.


Definitivo na campanha, por enquanto, apenas a constatação de que debates estão superados, substituídos com folga pelas sabatinas. O grande problema é que, dentre os quatro candidatos mais tradicionais, dois são muito fracos e os dois da ponta da tabela muito vulneráveis.


Sim, se apertar a pegada das sabatinas, nulos e brancos explodem pelas contradições dos líderes.


Não é uma bela campanha, a foto de agosto é em preto e branco.


Precisa melhorar em setembro.


Ainda que com boa dose de ilusão, o brasileiro merece sonhar com tempos melhores, algo que os dois polos da disputa não inspiram.


A grande sentença do primeiro mês de campanha é o mesmo mantra dos últimos oito anos para o eleitor comum; torcida e voto para que A vença porque é menos ruim que B, qualquer que seja a letra de cada um.


E ninguém se encoraja em testar o resto do alfabeto.

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