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A Copa da tensão; Trump joga protocolo e civilidade na lata de lixo.

Todos sabem que a FIFA tem ainda mais países filiados que a ONU e isto não a torna mais importante, porém mais abrangente e, com várias situações limites no conjunto das copas, o rigoroso protocolo da entidade sempre garantiu que a civilidade prevalecesse e o espírito esportivo garantisse um elevado nível de cordialidade em todas as edições, mesmo em 1938, quase na largada da Segunda Grande Guerra, com intensa tensão no continente europeu (Copa na França).


A Copa do Mundo costuma ser vendida como uma vitrine de integração, mas a edição de 2026 já chegou cercada por ruídos políticos. As ações do governo Donald Trump, especialmente no campo migratório e diplomático, passaram a bater de frente com o discurso de neutralidade que a FIFA tenta preservar em seus torneios. O resultado é um ambiente de desconforto bem antes da bola rolar.


Porém nada disto parece comover o presidente americano, Donald Trump, convicto de que é superior a qualquer instituição ou regra de civilidade entre as nações e que tem dadas seguidas provas de que vai impor suas regras discriminatórias que, nem mesmo começou a competição e já soma inúmeros casos de transgressão aos protocolos.


Entre os pontos mais sensíveis estão as restrições de entrada em território americano e o aumento de fiscalização sobre visitantes de alguns países. Na prática, isso cria barreiras para torcedores, imprensa, patrocinadores e até integrantes de delegações, afetando diretamente a experiência de seleções e públicos ligados ao evento. Mesmo quando há exceções para atletas e comissões técnicas, o recado político acaba sendo outro: nem todo mundo é tratado da mesma forma.


Assim já tivemos um juiz da Somália, eleito o melhor da África barrado; um jogador do Iraque foi interrogado por sete horas e tratado quase como um terrorista; o Irã tem visto limitadíssimo de permanência nos EUA, estando até previsto que precise deixar o país, logo ao término de cada jogo; foram cancelados todos os ingressos iranianos, inclusive a cota regulamentar de cada federação nacional, dentre outras agressões ao espírito da Copa.


Não há o menor indício de que os americanos, sob a inspiração do tresloucado presidente, vão se enquadrar no padrão FIFA. Esse tipo de postura desrespeita a lógica de um Mundial que, por regra, deveria operar sob protocolos de acolhimento, segurança e isonomia. Quando o país-sede transforma o torneio em extensão de sua agenda interna, a diplomacia esportiva perde espaço e o constrangimento se espalha. Seleções ficam sob tensão, jogadores entram em um clima de instabilidade e torcedores passam a encarar a viagem como um obstáculo, não como uma celebração.


No fim, a imagem da Copa sai arranhada porque o foco deixa de ser o futebol e passa a ser o conflito. E, quando a política ocupa o centro do palco, a promessa de um evento global, aberto e plural fica menor do que deveria ser.


Depois de 96 anos, sobrevivendo a todo tipo de regime, ditadores, períodos de alta tensão para a humanidade, a Copa sempre foi um exemplo de congraçamento entre os povos, mas agora precisa sobreviver aos devaneios de Donald Trump.


Sendo direto e objetivo; só o que se viu até a véspera da abertura já é o suficiente para que o Comitê Olímpico aborte, desde já, a edição dos Jogos previstas para 2028 em território americano porque as eleições serão apenas depois dos jogos e, sinceramente, a humanidade não merece um Donald Trump no caminho.


Resta torcer para que o espírito esportivo supere as adversidades impostas pelos americanos, que seja um Copa exemplar e, principalmente, que nossa seleção tenha um ótimo desempenho.

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