775 CRIANÇAS NA FILA. MAIS UMA PRAÇA NO CAMINHO. E A SAÚDE, PREFEITO?
Enquanto Cianorte anuncia revitalização de praça, 775 crianças aguardam consulta com neurologista infantil. A pergunta não é contra praça. A pergunta é sobre prioridade.

Por Marcio Nolasco
UMA PERGUNTA PARA VOCÊ CIANORTENSE E PARA VOCÊS VEREADORES - É ISSO QUE VOCÊS QUEREM PARA OS FILHOS DE NOSSA TERRA?
Há momentos em que uma cidade precisa parar, respirar e fazer uma pergunta simples.
O que realmente é prioridade?
Em Cianorte, segundo os dados apresentados no próprio sistema de informações da Saúde municipal, 775 crianças aguardam consulta com neurologista infantil, com tempo médio informado de aproximadamente 383 dias.
Isso significa mais de um ano de espera.
E há casos ainda mais dramáticos.
A primeira criança da fila, segundo a informação apresentada, estaria aguardando desde 30 de setembro de 2024. Em setembro de 2026, estamos falando de dois anos de espera, essa ciança já fez 2 aniversários e ainda não foi consultada, imaginem os outros 774 na fila... pela matemática lógica levará mais de 800 anos para todos serem atendidos por um médico Neuro Pediatra... Isso é gestão?
Dois anos esperando por uma consulta especializada.
E estamos falando de crianças.
Crianças que estão em fase de desenvolvimento. Crianças cujas famílias buscam respostas. Crianças que podem depender de diagnóstico, acompanhamento e tratamento adequado para questões que não podem simplesmente ser colocadas em uma gaveta administrativa chamada "fila de espera".
É aqui que começa a discussão que Cianorte precisa ter.
Enquanto isso, a Prefeitura anuncia novas intervenções urbanas, entre elas a revitalização da Praça Primo Manfrinato e uma nova praça na Vila Operária.
A revitalização da Primo Manfrinato é apresentada com investimento superior a R$ 1.1 milhão em recursos próprios do Município, conforme a informação divulgada sobre a obra.

E aqui é preciso fazer uma ressalva importante:
Ninguém está dizendo que praça não é importante.
Cidade precisa de espaços públicos. Precisa de lazer. Precisa de áreas verdes. Precisa de convivência.
Mas existe uma diferença enorme entre perguntar se uma praça é importante e perguntar:
diante de 775 crianças aguardando neurologista infantil, qual deveria ser a prioridade?
Se o recurso é realmente próprio e não está vinculado obrigatoriamente a uma finalidade específica, existe uma discussão legítima sobre a escolha política e administrativa de onde direcioná-lo.
Não se trata de dizer que os recursos de uma obra podem ser simplesmente transferidos para a Saúde sem observar orçamento, licitação, contratos, empenhos, regras fiscais e vinculações legais.
Trata-se de algo anterior:
quem define as prioridades de uma administração pública?
É justamente aí que está a pergunta que o Portal Bisbilhoteiro coloca sobre a mesa.
PREFEITO MARCO FRANZATO, QUAL É A SUA PRIORIDADE?

Se existem centenas de crianças esperando por neurologista infantil...
Se existem famílias esperando por atendimento especializado...
Se há reclamações recorrentes sobre falta de médicos especialistas e materiais básicos na rede municipal...
Se uma criança pode passar quase dois anos esperando por uma consulta...
por que uma nova praça aparece como prioridade de investimento?
Essa não é uma pergunta contra o lazer.
É uma pergunta sobre gestão pública.
Porque uma praça bonita pode esperar alguns meses.
Uma criança em desenvolvimento, talvez não.
E isso não é apenas uma questão de opinião.
A Constituição Federal determina que crianças e adolescentes devem ter seus direitos assegurados com absoluta prioridade, incluindo vida e saúde. O Estatuto da Criança e do Adolescente também estabelece essa prioridade e prevê, entre outros pontos, precedência no atendimento dos serviços públicos e destinação privilegiada de recursos públicos às áreas relacionadas à proteção da infância e juventude.
Portanto, a discussão precisa ir além da fotografia bonita da praça inaugurada.
É preciso olhar para a fila.
Para os números.
Para as famílias.
Para as crianças.
E O CONSELHO TUTELAR?
Outra pergunta precisa ser feita.
O Conselho Tutelar de Cianorte está acompanhando essa situação?
Diante de uma fila de centenas de crianças para atendimento especializado, qual é a avaliação do órgão responsável pela defesa dos direitos da criança e do adolescente?
Há acompanhamento dos casos considerados mais urgentes?
Há crianças esperando há mais de um ano?
Há articulação com a Secretaria Municipal de Saúde?
Há cobrança formal por solução?
Há encaminhamentos ao Ministério Público ou ao Judiciário quando identificada eventual ameaça ou violação de direitos?
A sociedade precisa saber.
Porque prioridade absoluta não pode existir apenas no texto da lei.
Prioridade precisa aparecer na vida real.
Precisa aparecer no orçamento.
Precisa aparecer na fila andando.
Precisa aparecer no médico atendendo.
Precisa aparecer no diagnóstico chegando.
Precisa aparecer na criança recebendo o tratamento de que necessita.
CIANORTE PODE TER PRAÇAS BONITAS. MAS NÃO PODE TER CRIANÇAS INVISÍVEIS.
Essa é a questão.
Não se está propondo uma cidade sem praças.
Está se perguntando se uma cidade que consegue encontrar recursos para revitalizar espaços públicos também consegue encontrar soluções para uma fila de 775 crianças esperando neurologista infantil.
Porque, no fim, orçamento público é escolha.
Escolha de prioridade.
Escolha de planejamento.
Escolha de governo.
E quando o prefeito anuncia uma obra pública, é legítimo perguntar:
por que essa obra agora?
Quanto será gasto?
Qual é a fonte do recurso?
Quanto está sendo destinado à Saúde?
Quanto seria necessário para reduzir essa fila?
Quantos especialistas poderiam ser contratados?
Quantas consultas poderiam ser realizadas?
Quantas crianças poderiam deixar de esperar?
São perguntas simples.
Mas talvez sejam as perguntas que mais incomodam.
PREFEITO, FALE PARA A POPULAÇÃO.
Marco Franzato, a pergunta do Portal Bisbilhoteiro é direta:
O que é prioridade para o seu governo?
Uma cidade bonita?
Ou uma cidade onde uma criança consiga consultar um neurologista antes de esperar quase dois anos?
Uma praça revitalizada?
Ou uma fila de 775 crianças reduzida?
Novos espaços de lazer?
Ou mais médicos especialistas atendendo?
Não estamos dizendo que Cianorte não precisa de praças.
Estamos perguntando se Cianorte pode se dar ao luxo de priorizar novas obras urbanas enquanto centenas de crianças aguardam atendimento especializado.
A população tem o direito de saber.
E o prefeito tem o dever de explicar.
Porque uma gestão pública não é medida apenas pela beleza das obras que entrega.
Também é medida pelo tempo que uma criança precisa esperar para ser atendida.
775 crianças estão esperando.
E enquanto elas esperam, a cidade continua inaugurando.
A pergunta agora não é se a praça ficará bonita.
A pergunta é:
QUANTO VALE A ESPERA DE UMA CRIANÇA?
E, principalmente:

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