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15 DE SETEMBRO: O DIA EM QUE O STF ENTROU NO CENTRO DA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL

há 3 horas
3 min de leitura

Por Marcio Nolasco - Analista de Políticas Públicas - ENAP


A crise institucional chegou à porta da eleição de 2026 — e o eleitor precisa perguntar quem terá força, legitimidade e equilíbrio para recolocar o Brasil nos trilhos



15 de setembro de 2026. Faltam apenas 19 dias para o primeiro turno das eleições presidenciais. E o Brasil acorda diante de uma situação que poucos imaginariam ver: enquanto os candidatos disputam votos pelo país, o Supremo Tribunal Federal enfrenta uma das mais graves crises internas de sua história recente.


Hoje, o STF realiza uma sessão extraordinária para analisar os desdobramentos do relatório da Polícia Federal que reúne informações extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e que envolvem o ministro Alexandre de Moraes. É uma situação inédita: a própria Corte precisa discutir se deve abrir investigação envolvendo um de seus integrantes.


E aqui está o ponto que interessa diretamente ao eleitor.


O dia 15 de setembro não vai escolher o próximo presidente do Brasil. Mas pode ajudar a definir o ambiente político em que esse presidente será escolhido.


A crise deixou de ser apenas uma disputa jurídica entre ministros. Ela passou a contaminar o debate político, o Congresso, a campanha eleitoral e a confiança da sociedade nas instituições. A própria Agência Brasil registra que a crise institucional tomou espaço do debate sobre propostas e problemas estruturais que deveriam estar no centro da eleição.


O problema é ainda maior porque o STF não está discutindo um assunto qualquer.

Está discutindo sua própria credibilidade.


De um lado, surgem questionamentos sobre a atuação de Alexandre de Moraes e os elementos encontrados nas investigações. De outro, há ministros que contestam a legalidade da investigação conduzida por André Mendonça e defendem que determinados elementos sejam considerados inválidos. O presidente da Corte, Edson Fachin, chegou a fazer um apelo público por serenidade, afirmando que o Tribunal deve julgar fatos, e não pessoas.


É justamente nesse ambiente que o brasileiro será chamado às urnas.

E isso muda a natureza da eleição.


Durante anos, o debate presidencial brasileiro foi dominado por economia, emprego, inflação, saúde, segurança, educação e corrupção. Em 2026, entretanto, a estabilidade das próprias instituições tornou-se um dos temas centrais da escolha presidencial.


O eleitor terá de decidir não apenas quem administrará o Executivo, mas também quem terá condições políticas de conviver com um Congresso dividido, um Judiciário pressionado e uma sociedade profundamente polarizada.

E existe uma pergunta que não pode ser evitada:


Quem será o próximo presidente capaz de pacificar o Brasil sem transformar o Palácio do Planalto em instrumento de guerra contra o Supremo — e sem permitir que o Supremo seja transformado em protagonista da política nacional?


Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes desta eleição.


Porque democracia não significa apenas votar.


Significa ter instituições que respeitem seus próprios limites.


O Executivo governa. O Legislativo legisla e fiscaliza. O Judiciário julga.


Quando essas fronteiras começam a parecer nebulosas aos olhos da sociedade, nasce uma crise de confiança.


E confiança institucional não se decreta.


Conquista-se.


A eleição de 2026, portanto, poderá representar muito mais do que a escolha de um presidente. Poderá representar uma resposta da sociedade ao modelo de poder que deseja para os próximos anos.


É por isso que o eleitor precisa olhar além das pesquisas, das redes sociais, das narrativas partidárias e das brigas entre grupos políticos.


Precisa perguntar:


Qual candidato defende a Constituição quando ela favorece seu grupo — e também quando contraria seus interesses?


Quem respeitará a independência entre os Poderes?


Quem terá coragem de defender as instituições sem transformar ministros, deputados, senadores ou adversários em inimigos pessoais?


E, principalmente:


quem será capaz de reconstruir a confiança do brasileiro na democracia?


O Brasil não precisa de um presidente que escolha um lado da guerra institucional.


Precisa de um presidente capaz de encerrar a guerra.


Hoje, 15 de setembro, o STF está no centro das atenções. Amanhã, será a vez das urnas. E, quando o eleitor finalmente depositar seu voto, não estará escolhendo apenas um nome para ocupar o Palácio do Planalto.


Estará escolhendo qual caminho o Brasil pretende seguir diante de uma crise institucional que nenhum Poder poderá resolver sozinho.


As urnas distribuem poder.


Mas, como já alertam analistas, elas não consertam instituições.


Essa tarefa continuará sendo de todos nós.


E talvez essa seja a verdadeira eleição de 2026: não apenas escolher quem vai governar o Brasil, mas decidir que tipo de democracia queremos entregar às próximas gerações.


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