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Teatro dos poderosos.

Por Walber Guimarães Junior, engenheiro e diretor da CIA FM.


Julgo fundamental que não se permitam distorções nos fatos de 8 de janeiro; foi uma tentativa de golpe articulada em minúcias por gente que entende de estratégia, contou com profissionais treinados que souberam conduzir centenas de brasileiros de boa índole que, movidos pela paixão política, cometeram atrocidades contra o patrimônio público.



Primeiro registro deste texto; de novo, mais uma vez, o Brasil permite que se julgue e condene os pequenos e faz vista grossa para os poderosos. A velha camaradagem da elite dominante, política e econômica, que se estende por todos os poderes, prefere prestar contas à sociedade apontando para a periferia e protegendo o centro do poder. Será que existe alguém, não acometido por paixão política, que considere possível aquele atentado sem um comando militar e financeiro?


Todavia, o Brasil dos poderosos sabe que não se deve mexer com generais, a elite do exército, nem mesmo com empresários, a elite econômica, para não comprometer o equilíbrio hipócrita que comanda o país, independente de quem esteja no governo.


Considero um compromisso de cidadania e de ética, que brasileiros que conseguem perceber este teatro dos poderosos, não mais se calem. O Brasil da decência só será possível quando revisitarmos os princípios basilares da nossa Constituição.


Poderiam me ajudar a encontrar este país onde todos são iguais perante a lei? Desculpem-me, mas isto é muito utópico. Continuamos sendo um país rigoroso com pobres, pretos e minorias de toda a ordem e extremamente cordial com aqueles que vivem à sombra do poder. Será que é ilusão achar que as chances de um cidadão pobre, preto e da periferia sair da cadeia, por roubar alimentos, é menor que um deputado ou empresário por assaltar uma empresa pública?


Todos nós sabemos a resposta. Por determinação histórica, nossas Capitânias hereditárias se perpetuaram na alma da elite que constrói e está sempre renovando formas de autoproteção, que os coloca em um patamar diferente da população. Sim, uma casta estabelecida por recursos financeiros e direitos hereditários.


O grande problema é que este joguinho de direita x esquerda é um ótimo subterfúgio para nos manter em combate contínuo, achando que isto altera alguma coisa, e nos limita a capacidade de enfrentar as qu