top of page
719f1cbc-471d-46f8-a24c-0354d79cb63b.jpg

"Se não é todo mundo aqui, ia ter corpo boiando", diz voluntário de resgates no RS

Os voluntários que atuam na orla do lago Guaíba, em Porto Alegre, mal conseguem parar para falar. Eles se dividem entre responsáveis por resgate, que vão de barco ou jet ski a áreas inundadas, e profissionais de saúde e alimentação para socorrer os atingidos pelas enchentes no Rio Grande do Sul.


Quando alguém é levado à tenda de atendimento instalada ali, passa por uma avaliação e triagem, recebe roupas secas, lanches e almoço, antes de ser encaminhado para um abrigo ou local seguro.



O processo parece seguir uma ordem simples e lógica, mas acontece em meio a uma caótica comunicação de gritos, barulhos de motor dos veículos aquáticos e choro.


Joavi Dornelles, 44, é técnica de enfermagem e atua no primeiro acolhimento a resgatados. Ela trabalha no Hospital de Clínicas e foi como voluntária para a orla. "Nem na pandemia vi algo assim", contou. Segundo o relato dela, há pessoas que chegam de áreas submersas que nem sequer conseguem entender onde estão ou o que está acontecendo.


"Se não fosse todo mundo fazer e acontecer, ia boiar corpo à revelia", desabafou Carlos Leão, 38. Ele está desde sexta-feira (3) no resgate a pessoas ilhadas em Porto Alegre, principalmente nas ilhas. Nesta segunda-feira (6), passou a integrar uma equipe que ia a Eldorado do Sul.


Carlos falou com a reportagem enquanto esperava o abastecimento dos veículos aquáticos. Ele compartilha indignação: "Se estavam vendo que ia estourar [a enchente], já armassem Brigada Militar e Exército para retirar as pessoas antes".


Em uma das poucas pausas, pôde tirar parte da roupa térmica que vestia, deixando visível manchas vermelhas no tórax. "Até voltou minha psoríase. Fazia dez anos que não tinha nada. Só aumentando o estresse cada vez mais", disse,