REPÚBLICA TCHECA; uma grande redenção
- Walber Guimarães Junior

- 28 de mai.
- 3 min de leitura
A classificação da República Tcheca para a Copa do Mundo FIFA de 2026 é um dos grandes contos de redenção do futebol europeu recente. Após 20 anos de ausência, os tchecos estão de volta.

Encerrando um jejum de 20 anos, o processo de classificação da República Tcheca foi um verdadeiro teste para cardíacos e marcou o retorno da equipe após duas décadas. A equipe competiu no Grupo L das eliminatórias da UEFA (junto com Croácia, Ilhas Faroé, Gibraltar e Montenegro). Fizeram uma campanha sólida, mas precisaram disputar a repescagem (Play-offs) europeia para carimbar o passaporte.
E não faltou dramaticidade nos play-offs. Sob o comando do técnico Miroslav Koubek, em apenas seu segundo jogo no cargo, a equipe mostrou uma organização tática impecável. Na semifinal, superaram a Irlanda fora de casa e, no jogo final, um épico empate de 2 a 2 contra a favorita Dinamarca no tempo normal e prorrogação. A vaga foi decidida nos pênaltis, onde a frieza tcheca prevaleceu, vencendo a disputa por 3 a 1. Foi uma vitória que premiou a execução perfeita do plano de jogo de Koubek.
Para entender o peso dessa classificação, é preciso olhar para o passado. A nação tem uma herança pesada, mas um histórico recente frustrante. Nas primeiras Copas, de 1930 e 1934, a Tchecoslováquia era uma verdadeira potência. Chegaram a duas finais de Copa do Mundo, 1934, perdendo para a Itália, e 1962, perdendo para o Brasil de Garrincha e Pelé.
Como República Tcheca, desde 1993, apesar de terem tido "Gerações de Ouro", com craques como Pavel Nedvěd, Milan Baroš, Petr Čech e Tomáš Rosický), a equipe só havia se classificado para uma única Copa do Mundo, em 2006 na Alemanha, onde caíram precocemente na fase de grupos.
O retorno em 2026 encerra um fantasma que assombrava o país há 20 anos, resgatando o orgulho de uma escola de futebol muito tradicional.
A atmosfera em Praga e em todo o país é de catarse e alívio. O sentimento predominante não é de cobrança por título, mas de celebração pelo retorno à elite. A torcida tcheca é apaixonada e muito presente, e a expectativa é de uma grande invasão de camisas vermelhas e azuis na América do Norte.
Há uma confiança renovada no trabalho de Miroslav Koubek. Os torcedores esperam que a equipe jogue sem o peso do favoritismo, o que historicamente os torna adversários muito perigosos, como costumam ser nas Eurocopas.
A atual seleção tcheca não possui os supercraques mundiais de 2004-2006, mas compensa com um jogo coletivo extremamente disciplinado e físico. Koubek tem implementado um sistema flexível, variando entre o 3-4-2-1 e o 4-2-3-1. A equipe foca em um bloco defensivo compacto, pressão média e transições ofensivas muito verticais.
Historicamente, os tchecos são letais em bolas paradas. Possuem zagueiros e centroavantes de grande estatura, como Patrik Schick e Tomáš Souček, dependendo de suas condições físicas e convocações, mas a vitória sobre a Dinamarca provou que a equipe sabe sofrer e executar planos de jogo reativos à perfeição.
Todavia, falta de criatividade no meio, quando precisam propor o jogo e quebrar linhas de defesas muito fechadas, a equipe sofre com a falta de um "camisa 10" clássico. Outro detalhe é que a equipe costuma oscilar de rendimento dentro da mesma partida, o que pode ser fatal em uma Copa do Mundo.
A República Tcheca caiu no grupo A, ao lado do anfitrião México, África do Sul e República da Coreia, bastante equilibrado e com boas oportunidades da equipe seguir em frente em uma das três vagas possíveis.
Não há dúvidas que o retorno da República Tcheca traz um elemento de imprevisibilidade ao torneio. A equipe será uma "franca-atiradora” e, se priorizar o jogo aéreo e a disciplina tática tcheca podem causar enormes problemas.
Talvez por isso, a expectativa realista e o consenso entre os analistas é que a República Tcheca avance da fase de grupos. O potencial de avanço os coloca na fase de 16 avos de final ou, em um cenário otimista com um cruzamento favorável, nas oitavas de final. Chegar às quartas de final seria uma zebra histórica, mas em torneios de tiro curto e com a confiança em alta após derrubarem a Dinamarca, não podem ser subestimados.
Em suma, a República Tcheca chega a 2026 leve, organizada e pronta para reescrever sua história em Copas do Mundo, apoiada em um sistema tático sólido e na euforia de uma nação que esperou 20 anos por este momento.














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