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Paraná 2026: pesquisas indicam favoritismo de Moro, mas vitória no 1º turno ainda depende de confirmação nas urnas

Análise baseada nos levantamentos eleitorais mais recentes (março a agosto de 2026) sobre a disputa ao Palácio Iguaçu


Por Marcio Nolasco


O contexto da disputa


Em 2026, o Paraná elege um novo governador porque Ratinho Júnior (PSD) está em seu segundo mandato consecutivo e, portanto, inelegível para concorrer a um terceiro período seguido. A eleição ocorre em 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro caso nenhum candidato obtenha maioria dos votos válidos — ou seja, mais de 50% dos votos, descontados brancos e nulos.



Depois do período de convenções partidárias (20 de julho a 5 de agosto) e do registro das candidaturas na Justiça Eleitoral, o quadro se consolidou em torno de três nomes principais: o senador Sergio Moro (PL), o deputado estadual Requião Filho (PDT) e o deputado federal Sandro Alex (PSD), este último identificado como o nome mais próximo do governo Ratinho Júnior. Também disputam a eleição o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB) — que chegou a aparecer em pesquisas de julho, mas cuja candidatura não foi mantida em todos os levantamentos mais recentes —, além de nomes com desempenho marginal, como Luiz França e Tony Garcia.


O painel de pesquisas: Moro na liderança em todos os institutos


Um conjunto de pesquisas divulgadas ao longo de 2026 por diferentes institutos — Paraná Pesquisas, Genial/Quaest, Bem Paraná/IRG, Neokemp e Real Time Big Data/IRG — converge num ponto: Sergio Moro lidera com folga a corrida ao governo do Paraná em todos os cenários estimulados testados até aqui.


Instituto

Período da coleta

Moro (PL)

Requião Filho (PDT)

Sandro Alex (PSD)

Observações

Paraná Pesquisas

13–16 ago/2026

46,1%

23,4%

16,5%

1ª pesquisa após registro das candidaturas; contratada pelo PL

IRG (via RIC)

ago/2026

40,2%*

21,0%*

24,8%*

*Por chapa (gov.+vice); Sandro Alex empatado com Greca

Neokemp

12 ago/2026

45,7%

empate técnico c/ Sandro Alex

empate técnico c/ Requião

1ª pesquisa pós-convenções

Bem Paraná/IRG

24–28 jul/2026

37,4%

19,1%

16,5%

Inclui Rafael Greca com 11,1%

Genial/Quaest

21–25 jul/2026

≈39%

2º colocado

7%

Vantagem de 21 pontos sobre o 2º colocado

Paraná Pesquisas

1–4 mar/2026

favorito

rejeição 33,7%

Pesquisa mais antiga da série (pré-convenções)

 

Em todas as sondagens, o intervalo de confiança gira em torno de 95%, com margens de erro entre 2,6 e 3 pontos percentuais, e amostras de aproximadamente 1.100 a 1.600 eleitores entrevistados presencialmente em dezenas de municípios do estado.


Vale registrar uma ressalva metodológica importante: a pesquisa Paraná Pesquisas — que mostra os números mais favoráveis a Moro (46,1%) — foi contratada pelo próprio Partido Liberal, legenda do senador, o que não invalida os dados, mas reforça a necessidade de comparação com institutos sem vínculo direto com os candidatos, como a Genial/Quaest, contratada por um banco, e o IRG, divulgado por veículo de comunicação. Ainda assim, mesmo pesquisas sem relação com o PL — como Genial/Quaest e IRG — mostram Moro na liderança folgada, o que indica convergência entre metodologias distintas.


Por que Moro lidera: aprovação de Ratinho Júnior e fragmentação da oposição


Os institutos também mediram a avaliação da gestão estadual, e os números ajudam a explicar o cenário eleitoral. O governo Ratinho Júnior registra índices de aprovação muito elevados — 84,3% dos entrevistados aprovaram a gestão em pesquisa de março, contra 12,8% de desaprovação —, e a aprovação ficou em torno de 80% em julho, segundo a Genial/Quaest. Esse capital político, contudo, não se transferiu integralmente ao candidato identificado como preferido do governador. Segundo a mesma pesquisa Genial/Quaest, apesar da aprovação de 81% do governo Ratinho, Sandro Alex aparecia com apenas 7% no cenário mais amplo, evidenciando que o chamado "efeito cabo eleitoral" do governador ainda não se converteu em intenção de voto para seu candidato.


Do lado de Requião Filho, o principal obstáculo apontado pelas pesquisas é a rejeição. Em praticamente todos os institutos, ele aparece como o nome mais rejeitado entre os pré-candidatos: 36,3% dos entrevistados afirmaram que jamais votariam nele, segundo o Paraná Pesquisas de agosto, número que já havia sido identificado em pesquisas anteriores do mesmo instituto em maio e março. Analistas costumam associar esse índice à polarização histórica em torno do nome de seu pai, o ex-governador e ex-senador Roberto Requião, e ao alinhamento do deputado estadual a um campo político (petista/lulista) que tem desempenho historicamente mais fraco no Paraná do que em outros estados.


Sandro Alex, por sua vez, enfrenta o desafio oposto: baixa rejeição, mas também baixo reconhecimento e dificuldade em capitalizar o apoio do governo estadual, mesmo em um cenário de aprovação recorde de Ratinho Júnior.


A pergunta central: Moro pode vencer já no primeiro turno?


Pela legislação eleitoral brasileira, a vitória no primeiro turno exige mais de 50% dos votos válidos — ou seja, do total de votos, descontados os brancos e nulos, regra que vale tanto para presidente quanto para governador. Com esse critério em mente, os números mais recentes permitem a seguinte leitura:


Fatores que sustentam a hipótese de vitória em primeiro turno:


•       Na pesquisa mais recente e mais favorável a Moro (Paraná Pesquisas, agosto), ele aparece com 46,1% dos votos no cenário estimulado — a menos de 4 pontos percentuais da marca simbólica de 50%, e a distância para o segundo colocado é superior a 20 pontos em praticamente todos os levantamentos.

•       A tendência histórica de pesquisas eleitorais no Brasil é de concentração de voto no líder à medida que a campanha avança e os eleitores indecisos tendem a migrar, em parte, para quem já lidera com folga — o chamado "efeito manada" observado em disputas assimétricas.

•       A fragmentação do campo de oposição (PDT, PT/aliados) e a existência de candidaturas concorrentes de centro (Sandro Alex, eventualmente Greca) tendem a dividir o eleitorado que poderia se somar contra Moro em um único nome, dificultando qualquer força unificada capaz de reduzir sua vantagem antes da votação.

•       Moro parte de um índice de rejeição comparativamente baixo diante dos concorrentes diretos — 23,8%, segundo o Paraná Pesquisas de agosto —, o que sugere potencial de crescimento sobre a fatia de indecisos.


Fatores que pesam contra uma vitória confirmada já no 1º turno:


•       Nenhuma pesquisa até agosto de 2026 mostrou Moro cruzando a barreira dos 50% dos votos válidos; mesmo o número mais alto (46,1%) ainda está abaixo do patamar necessário, e a distância que falta é justamente onde residem as maiores incertezas (indecisos, votos em branco/nulo e migração de última hora).

•       Os índices variam significativamente entre institutos — de cerca de 37% a 46% —, o que mostra sensibilidade metodológica (tipo de pergunta, presença ou ausência de Greca no cenário, formato de chapa com vice) e recomenda cautela antes de tratar qualquer número isolado como definitivo.

•       Em eleições majoritárias brasileiras, é comum observar concentração de voto contra o favorito no final da campanha ("voto útil reverso"), sobretudo se houver consolidação de um único nome de oposição — algo que ainda não ocorreu totalmente no Paraná, mas que pode se intensificar se Requião Filho conseguir absorver parte do eleitorado hoje disperso entre outros nomes.

•       A pesquisa ainda não incorporou de forma plena o efeito do horário eleitoral gratuito, dos debates e de eventuais fatos de campanha, que historicamente podem alterar o quadro em eleições estaduais brasileiras.


O que dizem os analistas


Colunistas e analistas de conjuntura que acompanham a corrida paranaense têm descrito o cenário atual como de "favoritismo consolidado, mas não irreversível" para Moro. A leitura recorrente é que o senador reúne três vantagens simultâneas — capital político acumulado como ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro, alinhamento com o eleitorado bolsonarista majoritário no estado, e ausência de um adversário único capaz de polarizar diretamente com ele. Ao mesmo tempo, pesquisadores de opinião pública citados pela imprensa paranaense reforçam que pesquisa de intenção de voto é uma fotografia do momento, não uma previsão, e que o real teste de uma vitória em primeiro turno só pode ser avaliado à medida que a campanha se aproxima da reta final, quando o comportamento dos indecisos costuma se definir.


Ressalvas metodológicas importantes


Antes de qualquer conclusão, vale destacar:


1.    Cenário estimulado x espontâneo: os números de liderança citados acima referem-se, majoritariamente, a cenários estimulados (quando o nome dos candidatos é apresentado ao entrevistado), que tendem a favorecer nomes mais conhecidos, como Moro.


2.    Composição de chapa: pesquisas que testam o nome do vice junto ao do titular (como a IRG de agosto) mostram números diferentes das que testam apenas o cabeça de chapa, o que explica parte da variação entre 37% e 46%.


3.    Instituto contratante: pesquisas contratadas por partidos ou pré-candidatos (caso do Paraná Pesquisas, contratado pelo PL) devem ser lidas em conjunto com pesquisas de instituições sem vínculo direto com os concorrentes.


4.    Tempo até a eleição: entre a pesquisa mais recente (agosto de 2026) e o pleito (4 de outubro de 2026) ainda restam quase dois meses de campanha, tempo suficiente, historicamente, para mudanças relevantes no quadro eleitoral brasileiro.


Conclusão


Com base no conjunto de pesquisas divulgadas até agosto de 2026, é possível afirmar que Sergio Moro é hoje o favorito destacado na disputa pelo governo do Paraná, com vantagem consistente e superior a 20 pontos percentuais sobre o segundo colocado em praticamente todos os institutos. Essa vantagem, somada à fragmentação da oposição e à baixa rejeição do senador frente aos concorrentes, sustenta a hipótese de uma vitória em primeiro turno como um cenário plausível e, para vários analistas, o mais provável dentro do quadro atual.


No entanto, nenhuma pesquisa até o momento confirmou Moro acima dos 50% dos votos válidos exigidos pela legislação eleitoral — o patamar mais alto registrado (46,1%) ainda deixa uma margem de incerteza real, especialmente considerando a variação entre institutos, o tempo restante de campanha e a possibilidade de concentração de voto em um único candidato de oposição na reta final. Tratar a vitória em primeiro turno como certeza estatística seria, neste momento, uma extrapolação além do que os dados efetivamente sustentam — o cenário mais correto, do ponto de vista técnico, é o de favoritismo forte, mas não definitivamente consolidado, a ser confirmado (ou não) pelas urnas em 4 de outubro de 2026.

 

Fontes: Paraná Pesquisas (mar., mai. e ago./2026); Genial/Quaest (jul./2026); Bem Paraná/IRG (jul./2026); Neokemp (ago./2026); IRG/RIC (ago./2026); Real Time Big Data (ago./2026, em campo); coberturas de Gazeta do Povo, Poder360, Band Paraná, Brasil 247 e O Cafezinho. Este artigo tem caráter informativo e não representa recomendação de voto; pesquisas eleitorais retratam um momento específico da campanha e estão sujeitas a variação até o dia da eleição.

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