O Debate Também se Faz com Mais Vozes
- Marcio Nolasco

- 10 de ago.
- 3 min de leitura
Em toda eleição, os debates entre candidatos representam um dos momentos mais importantes para a democracia. É quando o eleitor tem a oportunidade de comparar ideias, confrontar propostas e observar como cada postulante reage diante de questionamentos diretos.

Por isso, toda vez que um candidato afirma ter sido excluído de um debate, a discussão ultrapassa os interesses individuais e passa a envolver um princípio maior: o direito do cidadão de conhecer todas as alternativas que disputam o voto popular.
Foi exatamente essa discussão que ganhou força no Paraná após o candidato ao Governo do Estado pelo Partido Missão, Luiz Felipe França, divulgar um vídeo nas redes sociais questionando sua ausência no primeiro debate promovido pela Band.
Em tom contundente, França perguntou:
"Por que eu não tô nessa porra desse debate?"
Na gravação, o candidato afirma que procurou outros concorrentes ao Governo do Paraná e que Sergio Moro (PL), Requião Filho (PDT) e o governador Ratinho Junior teriam concordado com sua participação no confronto. Essas declarações foram feitas pelo próprio candidato e, até o momento, não constituem confirmação pública por parte dos citados.

Além disso, França fez um apelo público para que fosse chamado pela emissora, afirmando estar disponível para participar mesmo de última hora.
Enquanto isso, o debate ocorreu reunindo Sandro Alex (PSD) e Requião Filho (PDT). Sergio Moro, que também era esperado para o encontro, acabou não comparecendo.
Uma discussão que vai além de um candidato
Independentemente do nome envolvido, o episódio desperta uma reflexão importante.
Qual deve ser o critério para definir quem participa de um debate eleitoral?
As emissoras normalmente seguem regras previstas na legislação eleitoral e em resoluções da Justiça Eleitoral, que podem considerar fatores como representação no Congresso Nacional ou critérios editoriais estabelecidos previamente. Ainda assim, esses critérios frequentemente geram questionamentos, especialmente por parte de candidatos de partidos menores.
Sob a ótica democrática, quanto maior o número de ideias apresentadas ao eleitor, maior tende a ser a pluralidade do debate público. Por outro lado, incluir todos os candidatos pode tornar os debates excessivamente longos e dificultar um confronto aprofundado entre propostas.
É um equilíbrio delicado.
A força das redes sociais
Se décadas atrás a ausência em um debate significava praticamente desaparecer da campanha, hoje o cenário mudou.
Luiz Felipe França utilizou as redes sociais para transformar sua exclusão em pauta política.
Em poucas horas, o vídeo passou a gerar comentários e levantou uma discussão sobre igualdade de oportunidades na disputa eleitoral.
Mesmo sem estar presente no estúdio, conseguiu inserir seu nome no debate público.
Esse fenômeno mostra como as plataformas digitais vêm alterando a dinâmica das campanhas eleitorais. Muitas vezes, um vídeo viralizado alcança um público comparável — ou até superior — ao de determinados programas televisivos.
O eleitor continua sendo o protagonista
Mais importante do que saber quem ficou de fora é garantir que o eleitor tenha acesso às propostas, aos programas de governo e ao histórico de cada candidato.
Debates são instrumentos fundamentais, mas não são a única forma de avaliar quem pretende administrar um estado tão complexo quanto o Paraná.
A democracia se fortalece quando há regras claras, transparência nos critérios adotados pelas emissoras e espaço para que diferentes correntes políticas apresentem suas ideias dentro das normas eleitorais.
No fim das contas, quem decide não é a televisão, nem as redes sociais.
É o eleitor, nas urnas.



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