O Crachá não é Coroa: O "Poderzinho" do Secretário Tem Data de Validade!
- Marcio Nolasco

- 1 de abr.
- 3 min de leitura
Sabe aquele ditado que diz que "o mundo dá voltas"? Na política municipal, ele não só dá voltas como capota. Se você ocupa hoje uma cadeira de Secretário(a) Municipal, este texto é um "papo reto" de colega, sem juridiquês e sem puxação de saco, numa linguagem clara, popular de forma que TODOS entendam...

É muito fácil se deixar levar pelo café quentinho servido na mesa, pelo telefone que não para de tocar e pela sensação de que você manda na cidade inteira - e querido(a) é só sensação ok? Mas tem um detalhe que muita gente esquece no primeiro dia de nomeação: o seu "poder" tem o mesmo CPF do Prefeito. Se o mandato dele acaba, o seu "tapete mágico" é enrolado e guardado no depósito. O "poder" de um Secretário(a) municipal é diferente por exemplo de um Radialista que fica no ar 10, 20, 30, 40 anos em audiência com a população e não é apenas um período de mandato de um prefeito.
A Caneta Escreve, mas a Memória do Povo não Apaga
Muitas vezes, na correria do cargo, o secretário(a) começa a achar que o cidadão que bate na porta da prefeitura é um "incômodo". Cuidado. O poder que você exerce hoje é emprestado pela população, isso mesmo, seu "poderzinho" é emprestado.
Quando você nega um serviço básico, dificulta a vida de um empreendedor ou ignora um problema crônico da cidade por pura burocracia ou ego, esconde a realidade dos fatos nos serviços públicos, você não está apenas exercendo um cargo; você está deixando uma marca. E a sociedade tem uma memória de elefante:
O "Não" mal dado: O cidadão ou os próprios servidores esquecem o nome do prefeito, mas lembra do secretário que o tratou com desdém.
A demora proposital: O serviço público parado gera um efeito dominó que prejudica a economia e o bem-estar de todos.
O Mandato Acaba, o CPF Fica
Trabalhar como se o mundo fosse acabar no último dia de dezembro do quarto ano é o maior erro de um gestor. O poder é passageiro, mas as consequências das suas decisões são permanentes.
Se você faz uma gestão baseada na "carteirada", intimidação e na falta de empatia, prepare-se: o dia 1º de janeiro chega para todos. É nessa data que o "Ex-Secretário(a)" vira apenas o "Vizinho da Esquina". E aí, como vai ser quando você encontrar aquele cidadão no supermercado? Você vai ter orgulho do que construi e fez ou vai ter que desviar o olhar? Talvez hoje você já deva estar desviando o olhar, não é mesmo?
A Ilusão da Cadeira
A cadeira de secretário é confortável, mas ela é alugada. O verdadeiro poder não está em mandar, mas em resolver.
"Quem não vive para servir, não serve para viver" – e na gestão pública, isso é a mais pura verdade.
O servidor que entende que sua função é facilitar a vida de quem paga os impostos sai do mandato com algo que nenhum decreto pode tirar: autoridade moral. Quem usa o cargo para se sentir superior, sai apenas com um ex-crachá e uma lista de pessoas que não querem vê-lo nem pintado de ouro.
O Check-list da Realidade:
Caso você seja um Secretártio(a) Municipal, para você não cair na armadilha da "soberba temporária", faça estas três perguntas a si mesmo toda manhã:
Se eu perdesse o cargo hoje, eu teria as portas abertas na cidade?
Eu estou tratando o cidadão e os servidores como eu gostaria que tratassem a minha mãe em outra repartição?
Estou resolvendo problemas ou criando novos?
Lembre-se: O mandato do prefeito é o relógio que dita o seu tempo no palco.
Quando as luzes se apagam e as cortinas fecham, o que sobra é o seu nome e a história que você escreveu, e pode ser boa ou ruim... más será sempre a SUA história...
Aproveite o "poder temporário" para ser a solução, não o problema. Afinal, a caneta é temporária, mas a reputação é para sempre! Pense nisso...
















