MORO NA FRENTE, SANDRO AVANÇA E RATINHO ENFRENTA O DESAFIO DE TRANSFERIR FORÇA
A eleição para o Governo do Paraná entra em uma fase decisiva: enquanto Sergio Moro preserva vantagem nas pesquisas, Sandro Alex reduz a distância e Requião Filho permanece no jogo
A fotografia eleitoral do Paraná, em setembro de 2026, apresenta três movimentos que merecem atenção: Sergio Moro permanece na liderança, Sandro Alex demonstra crescimento e Requião Filho mantém uma posição competitiva na disputa pelo segundo lugar.

O Paraná Pesquisas, divulgado em 3 de setembro, apontou Moro com 45% das intenções de voto, contra 24% de Requião Filho e 17,5% de Sandro Alex. Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, Moro também apareceu à frente, com 24,2%, seguido por Requião Filho, com 10,2%, e Sandro Alex, com 6,3%.
Mas uma segunda fotografia mostra movimento diferente.
No levantamento Real Time Big Data divulgado em 11 de setembro, Moro apareceu com 35%, Sandro Alex com 25% e Requião Filho com 21%. A pesquisa entrevistou 1.600 eleitores e registrou margem de erro de dois pontos percentuais, segundo a divulgação do levantamento.
Isso significa que, embora Moro continue numericamente na dianteira nos dois levantamentos, a distância entre os candidatos não é estática. No Real Time, Sandro Alex reduziu a diferença para Moro em relação ao levantamento anterior do próprio instituto, enquanto Requião Filho aparece próximo o suficiente para manter aberta a disputa pelo segundo lugar.
O fenômeno Moro
Há um componente político importante nessa liderança.
Moro construiu sua candidatura associando sua trajetória pública ao combate à corrupção, ao crime organizado e à Lava Jato. Esse discurso encontra espaço em um ambiente nacional no qual corrupção, Judiciário e STF continuam ocupando parcela significativa do debate político.
A própria trajetória de Moro ajuda a explicar sua capacidade de mobilização eleitoral. Ele se tornou nacionalmente conhecido como juiz da Lava Jato e, posteriormente, ingressou na política. Seu discurso atual procura transformar essa trajetória em identidade eleitoral.
Mas existe outro dado que merece atenção: o desempenho espontâneo.
Quando quase metade do eleitorado ainda não apresenta espontaneamente um nome, o fato de Moro aparecer com 24,2% nesse quesito é politicamente relevante como indicador de reconhecimento de nome — embora não possa ser interpretado, isoladamente, como previsão do resultado.
O desafio de Sandro Alex
Do outro lado está Sandro Alex, candidato apoiado pelo governador Ratinho Junior.
A composição política em torno de Sandro ganhou força com a formação de alianças e, posteriormente, com a entrada de Rafael Greca como candidato a vice.
O movimento reorganizou parte do centro político paranaense.
O problema eleitoral colocado pelos números é outro: transformar a força política do grupo que governa o Paraná em intenção de voto para o candidato à sucessão.
A gestão Ratinho Junior aparece com elevada aprovação em levantamentos recentes, mas aprovação de governo e transferência automática de votos são fenômenos diferentes. Uma coisa é o eleitor avaliar positivamente uma administração; outra é decidir entregar seu voto ao candidato indicado pelo governador.
Essa diferença é um dos elementos centrais da eleição.
Requião Filho e a disputa pelo segundo lugar
Requião Filho também permanece no centro da equação.
No Paraná Pesquisas, ele apareceu com 24%, em segundo lugar. No Real Time, registrou 21%, apenas quatro pontos atrás de Sandro Alex.
Portanto, a disputa não pode ser resumida simplesmente a "Moro contra Sandro".
Existe uma segunda batalha: quem conseguirá consolidar o eleitorado necessário para avançar ao segundo turno, caso o cenário de dois turnos se mantenha?
E essa disputa pode produzir movimentos importantes nas próximas semanas.
Ratinho Junior entra no confronto
O governador Ratinho Junior também passou a atuar diretamente no enfrentamento político a Moro. Segundo reportagens recentes, o governador tem questionado a participação do senador em debates e feito críticas à sua relação com o Paraná, enquanto Moro procura evitar transformar Ratinho no centro de sua campanha.
Esse confronto revela uma questão estratégica.
Quanto mais Ratinho transforma Moro no adversário central, mais Moro ganha a oportunidade de disputar diretamente com a principal liderança política do Estado.
Ao mesmo tempo, para o grupo governista, atacar Moro significa tentar reduzir uma vantagem que aparece nos levantamentos e abrir espaço para Sandro Alex.
É uma operação política de alto impacto, mas cujo resultado eleitoral ainda não pode ser antecipado.
A eleição ainda não está decidida
O dado mais importante das pesquisas talvez seja justamente este: liderança não significa eleição definida.
Os levantamentos mostram Moro à frente, mas também mostram Sandro Alex avançando e Requião Filho mantendo presença competitiva. Além disso, ainda existe parcela significativa do eleitorado que não declarou voto.
No Paraná Pesquisas, por exemplo, 51,2% não souberam ou não quiseram responder na pesquisa espontânea.
É nesse eleitorado que a campanha terá uma de suas principais disputas.
A partir de agora, debates, propaganda eleitoral, alianças, ataques, respostas, fatos novos e capacidade de mobilização podem alterar o quadro.
A fotografia de setembro mostra Moro na frente. A dinâmica da campanha mostra que os adversários ainda estão tentando mudar essa fotografia.
E talvez seja justamente essa combinação — liderança de um lado, crescimento e disputa pelo segundo lugar do outro — que torne a eleição paranaense uma das disputas estaduais mais observadas do país.
Por enquanto, os números registram uma liderança. Não entregam um resultado.

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