Grupo A; altitude, clima e intensidade serão decisivos.
- Walber Guimarães Junior

- 30 de abr.
- 4 min de leitura
O grupo A da Copa do Mundo de 2026 é um dos mais interessantes da competição por parelhar seleções de quatro continentes, com um nivelamento raro. Não há um favorito destacado, embora o México jogue em casa, e temos quatro escolas que privilegiam a intensidade, embora de formas distintas.

Será também deste grupo a partida de abertura da Copa em 11 de junho, com México e África do Sul, entrando em campo para abrir o torneio, repetindo o jogo de estreia de 2010.
Vamos, em rápidas pinceladas, fazer uma avaliação dos componentes.
México: A Pressão do Anfitrião.
Mais tradicional entre os países que sediam a Copa, o México quer voltar a passar da fase de grupos, o México, atualmente em 15° no ranking da FIFA, se beneficia do fator casa, um elemento estatisticamente significativo em Copas.
O ponto chave deve ser a capacidade emocional. Jogar em casa é uma faca de dois gumes: o apoio pode virar cobrança em minutos. Tecnicamente, dependem da conexão entre o meio-campo criativo e seus pontas velozes.
Seu técnico é o experiente Javier Aguirre e a equipe tem poucas estrelas, com uma geração inferior ao histórico mexicano, e onde o atacante Raul Jiménes se destaca, mesmo não sendo um centroavante de classe mundial. Preocupa ainda a instabilidade defensiva contra equipes com muita explosão física.
Na última edição, no Catar, caiu na fase de grupos, mas a foi campeã da Copa Ouro contra os Estados Unidos em julho de 2025.
Coreia do Sul: A Velocidade Disciplinada.
A Coreia chega sem grandes holofotes para a Copa. Ostentando a 22ª posição no ranking FIFA, pode ser considerada figurinha carimbada em Copas, chegou até às oitavas em 2022 e o objetivo é repetir ou superar esse feito.
Os sul-coreanos são os mestres da transição. É uma equipe que se sente confortável defendendo em bloco médio para explodir em velocidade. Tecnicamente, é o time com o melhor aproveitamento de passes longos do grupo, sendo a precisão cirúrgica seu ponto chave. Eles não precisam de muitas chances para marcar e, se o adversário errar a Coreia costuma punir imediatamente.
Além das transições ofensivas letais, a disciplina tática invejável são exatamente os pontos fortes da equipe, todavia a dependência excessiva dos principais jogadores e uma certa vulnerabilidade no jogo aéreo são as limitações da equipe.
A Coreia chega à Copa sob o comando de Myung Bo Hong, com Heung-min Son, atacante, que deixou o Tottenham para jogar na MLS, e Lee, do PSG, como destaques no futebol europeu. No ciclo, os coreanos chegaram às semifinais da Copa da Ásia e lideraram o grupo B das eliminatórias asiáticas.
Especialistas apontam para a Coreia na briga ponto a ponto pela segunda vaga. É o "adversário indigesto" que ninguém consegue golear.
África do Sul: O Coringa Resiliente
Sem jogar a Copa desde 2010, quando sediou a competição, a África do Sul se classificou e jogou a forte Nigéria para a repescagem. Muitos jogadores da seleção sul-africana jogam no Mamelodi Sundowns, time que representou o país na Copa do Mundo de Clubes.
A equipe ocupa a 61ª posição no ranking da FIFA e costumam fazer um jogo mais cadenciado, baseado na técnica individual e na segurança defensiva liderada pelo goleiro Ronwen Williams. É um time que sabe sofrer e esperar o momento certo.
O ponto chave talvez seja a ausência de pressão. Entrando como "azarão", a África do Sul joga com a leveza de quem já cumpriu sua missão ao voltar ao Mundial. Isso os torna perigosos em jogos de contra-ataque. Além disto, o entrosamento ajuda porque a base da seleção é o Mamemlodi Sundows, potência local, que tem boa solidez defensiva e excelente preparo físico.
Sob comando de Hugo Broos, a projeção indica a equipe na luta para ser um dos melhores terceiros colocados. Pode surpreender se conseguir arrancar um empate na estreia e seu destaque é Teboho Mokoena que comanda o meio campo da equipe. Todavia, a falta de experiência recente em Copas do Mundo e escassez de jogadores atuando nas principais ligas da Europa pode pesar no ritmo de jogo contra europeus e asiáticos e se apresenta como o ponto fraco da equipe.
República Tchecia; expectativa em alta
Com uma classificação épica, a República Tchecia chega com ritmo competitivo altíssimo.
Com bom padrão e forte imposição física, organização tática rigorosa e forte jogo de bola parada são os pontos fortes e, como ponto fraco, talvez seja o desgaste da repescagem e terão que lidar com o ambiente hostil ao enfrentar o México na América do Norte.
Analistas avaliam que se deve esperar um futebol direto, vertical e extremamente perigoso nos cruzamentos para a área.
O grupo A é muito equilibrado e de prognóstico difícil, mas o fator casa, principalmente se o México estrear bem, pode ser uma vantagem colossal porque a altitude e o calor serão um pesadelo físico para os adversários.
Outro fator importante é que o México terá a torcida mais apaixonada e numerosa do grupo. O Estádio Azteca será um verdadeiro "caldeirão". O impacto é duplo: serve como um 12º jogador que intimida os adversários, mas também pode se virar contra o próprio time.
É realmente complicado apontar quem segue, com chances equilibradas para mexicanos, coreanos e o representante europeu, com a África do Sul com mais chances de ficar pelo caminho.
















