CIANORTE NÃO TEM DEPUTADO ESTADUAL. ISSO É MENTIRA!
- Marcio Nolasco

- 31 de ago.
- 6 min de leitura
Atualizado: 31 de ago.
Quando a propaganda política tenta transformar conveniência em verdade, é dever do jornalismo fazer a pergunta que ninguém quer responder: quem, afinal, representa Cianorte na ALEP?
Por Marcio Nolasco - Opinião Política

Há uma frase que vem circulando em vídeos nas redes sociais e que merece ser colocada sob a luz do debate público:
“Cianorte tem um deputado estadual. Marcio Nunes é o nosso Deputado de Cianorte, e nunca veio tanto dinheiro como veio...”
Se o quesito dinheiro for o peso para dizer que um Deputado é de Cianorte, então também temos um Deputado Federal de Cianorte - Zeca Dirceu do PT que trouxe milhões para nossa cidade e inclusive com publicidade de nosso Prefeito Marco Franzato. Então prefeito, porque o senhor também não pede voto para Zeca Dirceu se a questão é "nunca veio tanto dinheiro como veio"... e diga onde foi aplicado com documentos ao povo... não é dever é obrigação do gestor público!
Não... Marcio Nunes não é de Deputado de Cianorte, nem por Cianorte...
O domicílio eleitoral de Marcio Fernando Nunes no Paraná fica no município de Campo Mourão.
De acordo com os registros oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os dados específicos de sua inscrição eleitoral incluem:
Município: Campo Mourão (PR)
Zona Eleitoral: 031
Marcio Nunes mantém seu domicilio eleitoral desde 18 de setembro de 1986, em Campo Mourão, cidade onde também nasceu e iniciou sua trajetória política como vice-prefeito. Portanto ele não é Deputado Estadual de Cianorte e o povo tem RAZÃO SIM em dizer que Cianorte não tem um Deputado Estadual...
Não temos nada contra Marcio Nunes, e desejamos sucesso para ele o os demais candidatos, mais ainda fica a pergunta: Essa campanha prefeito, não era para ser feita para o candidato que uniu as forças políticas locais, para ser um candidato GENUINAMENTE de Cianorte? Ou não? Como é então isso se o senhor faz campanha para candidato de fora da cidade? O eleitor merece uma resposta... TRANSPARENTE.
A famosa frase "uma mentira dita mil vezes torna-se verdade" é amplamente atribuída a Joseph Goebbels, o ministro da Propaganda da Alemanha Nazista.
Cianorte não tem um deputado estadual.
E dizer que Marcio Nunes é “o deputado de Cianorte” não transforma essa afirmação em verdade apenas porque ela é repetida em vídeo, palanque ou material de campanha.
Nada contra o nosso prefeito. Nada contra Marcio Nunes. Nada contra qualquer candidato.
Mas existe uma diferença brutal entre apoio político e representação genuína de uma cidade.
E essa diferença precisa ser discutida antes que o eleitor seja tratado como massa de manobra eleitoral.
A pergunta é simples: de onde é Marcio Nunes?
Marcio Nunes não é de Cianorte.
E essa não é uma questão de antipatia, partido ou ideologia.
É uma questão de identidade política e de representação.
Se o discurso é de que Cianorte finalmente “tem um deputado estadual” e que esse deputado seria Marcio Nunes, então a população tem todo o direito de perguntar:
O que, concretamente, ele trouxe para Cianorte?
Não queremos discurso.
Não queremos fotografia.
Não queremos vídeo.
Não queremos promessa de campanha.
Queremos dados.
Então, prefeito, publique os números.
Se Marcio Nunes é realmente o deputado estadual de Cianorte, que o governo municipal apresente oficialmente aos cidadãos:
Quais recursos públicos foram destinados por sua atuação política a Cianorte?
Quantas emendas ou verbas foram destinadas?
Quais foram os valores de cada uma?
Em quais anos esses recursos chegaram?
Para quais secretarias, obras, instituições ou programas foram destinados?
Quais obras ou ações foram efetivamente realizadas com esses recursos?
Qual foi a contrapartida do município?
Onde estão os documentos que comprovam tudo isso?

Essa é uma cobrança perfeitamente legítima e apoiada na CF de 1988.
Porque, se existe um deputado de Cianorte, a representação precisa aparecer no orçamento, nas obras, nos investimentos e nos resultados — não apenas nas redes sociais durante uma eleição.
E há uma contradição política que não pode ser ignorada
Cianorte possui nomes da própria cidade disputando uma vaga na Assembleia Legislativa do Paraná em 2026.
Entre eles estão Serginho Pereira, Roberto Aciolli e Afonso Lima.
São candidaturas que carregam uma discussão muito mais profunda:
Cianorte quer eleger alguém da cidade ou simplesmente apoiar quem melhor atende aos interesses do grupo político que controla a máquina eleitoral?
Essa é a pergunta que precisa ser feita.
Porque existe uma situação ainda mais curiosa.
Afonso Lima foi apresentado dentro de uma tese de união política entre grupos.
Então fica a pergunta:
União para quê? Ou, pra quê realmente essa união?
União para fortalecer Cianorte?
União para eleger um representante genuinamente cianortense?
Ou união apenas enquanto conveniente para determinados projetos políticos?
Porque, se existe uma candidatura construída sob a ideia de união, mas na hora da campanha o grupo político do prefeito trabalha prioritariamente para outro candidato, ué, jogaram a união pro lado e foram trabalhar para outro candidato? O eleitor tem o direito de perguntar:
Afinal, qual era o verdadeiro objetivo dessa união?
Prefeito, a pergunta está colocada: quem é o candidato de Cianorte?
Afonso Lima?
Serginho Pereira?
Roberto Aciolli?
Ou Marcio Nunes?
Porque não dá para vender quatro discursos diferentes ao mesmo tempo.
Se Marcio Nunes é o candidato escolhido pelo grupo político do prefeito, tudo bem é um direito de escolha do grupo.
A política é feita de escolhas.
Mas então não se deve tentar transformar um candidato apoiado politicamente em “o deputado de Cianorte”.
São coisas completamente diferentes.
Um candidato pode ter apoio do prefeito.
Pode ter apoio de vereadores.
Pode ter apoio de empresários.
Pode ter apoio de lideranças.
Pode ter apoio de partidos.
Mas isso não significa que ele seja, automaticamente, o representante genuíno da cidade.
Cianorte não pode continuar confundindo amizade política com representação
Esse talvez seja o maior problema.
Durante décadas, cidades do interior foram utilizadas como território eleitoral.
O político aparece na época da eleição.
Recebe abraços.
Grava vídeos.
Promete recursos.
Tira fotografias.
Recebe apoio.
Depois, desaparece.
E quatro anos depois a história recomeça.
Isso não é representação. É calendário eleitoral.
Representação política é presença.
É cobrança.
É recurso.
É defesa dos interesses da cidade.
É prestação de contas.
É compromisso permanente — não uma visita de campanha.
O eleitor não precisa de padrinho. Precisa de representante.
E aqui está o ponto central desta eleição.
Cianorte não deveria votar simplesmente em quem tem a maior estrutura política.
Nem em quem aparece mais ao lado do prefeito.
Nem em quem possui mais fotografias com autoridades.
O eleitor precisa perguntar:
Quem vai defender Cianorte quando não houver eleição?
Quem estará na ALEP cobrando investimentos?
Quem vai lutar por infraestrutura?
Quem vai defender a saúde regional?
Quem vai buscar recursos para educação?
Quem vai defender as demandas dos municípios da região?
Quem vai atender Cianorte durante os quatro anos de mandato?
Essa é a discussão que interessa.

Porque existe um risco: Cianorte ficar novamente sem representação
E isso seria uma derrota coletiva.
Não para um partido.
Não para um prefeito.
Não para um candidato.
Para Cianorte.
Se três candidatos genuinamente ligados à cidade dividirem seus votos e um candidato de fora levar a maior parte do eleitorado organizado politicamente, Cianorte poderá assistir novamente à velha história:
muitos votos, nenhuma representação efetiva.
E depois aparecerão os discursos de sempre:
“Precisamos eleger alguém daqui.” - MENTIRA!!
Mas eleição não se ganha com discurso depois da derrota.
Ganha-se com estratégia antes da urna.
A política do pequeno grupo não pode se sobrepor ao interesse coletivo
É aqui que está o verdadeiro problema.
Quando lideranças políticas passam a pensar primeiro em alianças, cargos, grupos, partidos, projetos pessoais e conveniências eleitorais, a cidade deixa de ser prioridade.
O interesse coletivo é substituído pelo interesse do grupo.
E o cidadão vira apenas eleitor.
Um número na urna.
Cianorte precisa romper com essa lógica.
Não precisa eleger um deputado apenas porque ele tem padrinhos poderosos.
Precisa eleger alguém que tenha compromisso com Cianorte.
E compromisso se prova com fatos.
Portanto, fica o desafio
Se Marcio Nunes é realmente “o deputado estadual de Cianorte”, que se apresentem os números.
Quanto trouxe? Quando trouxe? Para onde foi? Quanto foi aplicado? Qual obra foi realizada? Qual benefício concreto chegou ao cidadão?
Não é perseguição.
Não é ataque.
É prestação de contas.
E, se os números forem expressivos, ótimo.
Que sejam apresentados.
O cidadão poderá avaliar e reconhecer.
Mas se a única prova de que Marcio Nunes seria “o deputado de Cianorte” forem vídeos de campanha e discursos políticos, então estamos diante de outra coisa:
propaganda tentando se passar por realidade.
E o eleitor de Cianorte merece mais respeito.
Cianorte não precisa de um deputado “emprestado” pela conveniência eleitoral.
Precisa de representação.
Precisa de voz.
Precisa de compromisso.
Precisa de alguém que seja cobrado pela cidade e que esteja disposto a prestar contas a ela.
Porque deputado estadual não é título honorífico.
É mandato público.
E mandato público pertence ao eleitor.
Por isso, antes de outubro, uma pergunta deveria estar estampada em cada esquina de Cianorte:
QUEM É, DE FATO, O CANDIDATO DE CIANORTE?
Afonso Lima? Serginho Pereira? Roberto Aciolli? Ou Marcio Nunes?
Que cada grupo político faça sua escolha.
Mas que tenha a coragem de explicar por que escolheu.
Porque Cianorte já perdeu tempo demais elegendo interesses.
Está na hora de eleger representação.
"ESTAMOS CORRENDO SERIAMENTE O RISCO DE NÃO TERMOS MAIS UMA VEZ UM DEPUTADO ESTADUAL - E isso por conveniência de grupo político!" - Marcio Nolasco.



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