CASSAÇÃO EM CIANORTE: O FIM DA CAPITAL DO VESTUÁRIO E O NASCIMENTO DA REPÚBLICA DA FANTASIA
- Marcio Nolasco

- 21 de abr.
- 3 min de leitura
Atualizado: 22 de abr.
Por Marcio Nolasco - Analista de Políticas Públicas - ENAP
A política de Cianorte não está em crise; ela está em estado de decomposição moral. O que assistimos nos últimos 5,4 anos não é um exercício democrático, mas um espetáculo deprimente de cassações que expõe uma ferida aberta no coração da cidade. Com dois vereadores já extirpados e o terceiro processo em marcha célere, mais um quarto já com pedido de cassação e ainda um quinto que poderá ter caminho aberto, a pergunta que ecoa nos corredores do Paço Municipal não é "quem será o próximo?", mas "até quando o povo aceitará ser palhaço neste circo?".

O Divisor de Águas: 24 de Abril
"No próximo dia 24 de abril de 2026, às 09:00 horas, a sessão de cassação do vereador Rafael Araújo não será apenas um rito burocrático. Será o marco zero da dignidade cianortense. Esse feriado prolongado de 21 de abril foi uma "mão na roda" para reuniões e reuniões sobre o futuro de Rafael Araújo como vereador." - Marcio Nolasco
Ali, naquele plenário, será decidido se a ética e a moralidade ainda possuem residência fixa nesta cidade ou se foram definitivamente despejadas em troca de favores políticos. É o momento da verdade: ou o Legislativo honra o voto que recebeu, ou assina sua própria certidão de óbito moral perante a história política da cidade. Vereadores em processo de cassação devem ser inteligentes politicamente e não ficar de diálogos "amorosos" com seus adversários políticos, e sabem porque caros leitores, porque não existe ética, palavra e confiança na politica brasileira, nem lá em Brasília e muito menos aqui em Cianorte na Capital da Fantasia... Vereador inteligente não cava sua própria cova junto ao sistema e a situação política atual.
Vereador não é Empregado do Prefeito
É preciso desenhar o óbvio para aqueles que sofrem de amnésia constitucional: vereador não é funcionário do Executivo. Vereador não é capacho, não é subordinado e, muito menos, empregado do Prefeito. E a câmara não é puxadinho da prefeitura... Leiam a constituição! Quem insiste nessa situação deprimente politicamente não tem futuro político. Nunca terá pois o povo faz suas trocas e "demissões". aguardem 2028!
A função de um parlamentar é ser o fiscal implacável dos atos de quem detém a caneta. O parlamentar que baixa a cabeça para o Executivo em troca de cargos ou conveniências trai o seu eleitor. A independência não é uma opção, é um dever. Quando a Câmara se torna um puxadinho da Prefeitura, quem perde não é a oposição, é o cidadão que fica órfão de fiscalização.
Da Capital do Vestuário à Capital da Fantasia
Cianorte ostentava com orgulho o título de Capital do Vestuário, símbolo de trabalho, suor e produção real. Hoje, essa identidade está sendo sufocada por uma gestão executiva e legislativa que prefere a tinta fresca das praças e o barulho passageiro das festas à seriedade da fiscalização na gestão pública.
Estamos nos tornando a Capital da Fantasia.
Enquanto o asfalto das praças brilha para as fotos de rede social, o transporte escolar pede socorro.
Enquanto fogos de artifício estouram em festas caras, mães choram por vagas em creches que nunca chegam.
Enquanto a "perfumaria" política tenta mascarar a realidade, a saúde definha nas filas de espera.
Enquanto não se fiscaliza com rigor os atos do executivo, temos mais vereadores na linha de cassação de seus mandatos.
A Conta Chegou (e é você quem paga)
Não existe almoço grátis na política e não se pode confiar em politico de coturno alto - já dizia Paulo Tertulino um crítico de nossa política local, e muito menos festa gratuita.
Toda essa imoralidade política, essa dança das cadeiras movida a cassações e essa obsessão por obras de fachada têm um financiador: você, contribuinte. O povo de Cianorte está pagando a conta de um sistema desgovernado ética e moralmente. O dinheiro que deveria estar gerando emprego e renda está sendo drenado para sustentar uma vitrine de vidro que ameaça estraçalhar a qualquer momento.
A conclusão é dura, mas necessária: Se no dia 24 de abril a conveniência política vencer a moralidade, Cianorte terá selado seu destino como uma cidade de fachada, governada por marionetes e sustentada por ilusões. O povo acordou. E ele não aceita mais migalhas de entretenimento enquanto falta o essencial. Basta de perfumaria. Exigimos respeito. Deus queira que eu esteja errado sobre o desenrolar da sessão de cassação do Vereador Rafael Araújo, ainda dá tempo de nossos vereadores acertarem o caminho e seus futuros...
















