Av. Makio Sato e o jequitibá nocauteado por um 'golpe baixo'

Cheguei no local e demorei a encontrá-lo. Tão grande e imponente que era, estava ali, morto, nocauteado. Há pouco tempo desfrutava de pleno vigor, era o guerreiro imbatível. E agora, sem vida. Acessei seu local de repouso. Repouso esse forçado. Era para estar vivo, majestoso! Mas agora suas folhas já perdiam o brilho.


29 de agosto de 2021. Antes do início do desmatamento para duplicação da Avenida Makio Sato (Foto: Aida Franco de Lima)


Subi o pequeno barranco, meu pé enroscou em um cipó, até que eu conseguisse me aproximar do tronco de 12 metros de comprimento, diâmetro de 2,10, galhada de mais de 10 metros. Pensei... Quanto tempo levou para atingir essas dimensões? Quantos animais faziam dele, seus abrigos e fonte de alimento? Quantos macacos saciaram sua fome com a comida preferida que brotava em seus galhos? Quantas lutas vencidas para chegar até aquela estatura?



29 de agosto de 2021. Parte do caule do imenso jequitibá (Foto: Aida Franco de Lima)


29 de agosto de 2021. Jequitibá saudável, imponente, com frutos, alimento preferido dos macacos (Foto: Aida Franco de Lima)


Estava um silêncio na mata. Um silêncio descomunal, parecia o silêncio do gigante caído, mesmo com o vai e vem de carros, motos, um ou outro pedestre, e caminhões carregados com terra, que um dia deu lugar à floresta. Parecia um ringue abandonado, sem campeões, só derrotados...