"A Ética em Xeque: O Peso da Big Fish sobre Cianorte".
- Marcio Nolasco

- 8 de abr.
- 3 min de leitura
Por: Marcio Nolasco - Analista de Políticas Públicas - ENAP
Cianorte acordou com o barulho de helicópteros e o peso da realidade batendo à porta. A Operação Big Fish, deflagrada pelas Polícias Civis do Paraná e de Goiás, não é apenas mais uma manchete policial sobre jogos de azar ou lavagem de dinheiro; é o retrato escancarado de uma ferida purulenta na ética que deveria reger nossa vida pública. Quando figuras que ocupam as cadeiras mais altas do nosso sistema político local são levadas sob custódia, o que se quebra não é apenas um mandato, mas o vidro do aquário de confiança que o povo cianortense construiu com tanto esforço.

A Moeda da Traição
"A política é, em sua essência, um contrato de confiança. O cidadão sai de casa, vota e delega ao eleito o poder de cuidar do bem comum. Quando esse poder é usado, segundo as investigações, para servir de anteparo a organizações criminosas e movimentações bilionárias à sombra da lei, o contrato é rasgado". Marcio Nolasco.
O que sentimos hoje em Cianorte é a náusea da traição. É olhar para a nossa política e não enxergar representantes, mas sim interrogações. Como chegamos ao ponto em que o comando de uma Casa de Leis se confunde com o comando de esquemas investigados por fraudes e ocultação de bens? A resposta dói: chegamos aqui porque a moral e a ética foram substituídas pelo pragmatismo do poder a qualquer custo com discursos melados de fantasias e palavras marcadas.

Consequências Além das Grades
As consequências para o cenário político local são devastadoras. A descrença gera apatia, e a apatia é o terreno onde a corrupção floresce. O povo, cansado de ver "peixes grandes" envolvidos em escândalos, corre o risco de acreditar que "política é tudo igual". Mas é exatamente esse pensamento que os aproveitadores querem que você tenha.

A confiança quebrada não se cola com notas oficiais de "esclarecimento". Ela só se reconstrói com a exposição total das vísceras desse sistema. A transparência em Cianorte não pode mais ser uma palavra bonita em sites e postagens de redes sociais; ela precisa ser um mecanismo de defesa social. Precisamos saber quem financia quem, quem frequenta quais gabinetes e, acima de tudo, a serviço de quem nossos representantes realmente estão, que parace não ser do povo.
A Necessária Refundação de Cianorte
Não basta substituir nomes; é preciso substituir a mentalidade. Cianorte exige e merece uma reformulação total. Não podemos mais aceitar o "pega, mas faz" ou o "ele é meu amigo". A régua para quem deseja representar o povo cianortense deve subir de nível. Precisamos de representantes que não apenas cumpram a lei, mas que tenham a moral como bússola e a ética como escudo.
O cenário político cianortense precisa ser passado a limpo. É hora de ocuparmos os espaços, de questionarmos cada projeto e de exigirmos que a transparência seja a luz que espanta as sombras dos esquemas clandestinos. A Operação Big Fish tirou os peixes grandes da água turva; agora, cabe a nós, cidadãos, garantir que essa água nunca mais volte a ser contaminada.
Cianorte é maior que qualquer esquema. Nossa história não será escrita por mãos manchadas, mas pela coragem de um povo que, diante da decepção, escolhe a renovação. A limpeza começou de fora para dentro, pelas mãos da polícia. Agora, ela precisa continuar de dentro para fora, pelas mãos do eleitor.
Audio do Promotor de Justiça - Felipe Assis Coelho

"Até quando aceitaremos que nossa confiança depositada em nossos políticos seja tratada como mercadoria?". Marcio Nolasco

















